“Poxa Taylor Swift!” foi a
primeira coisa que pensei ao ouvir a última frase da “ponte” de Sparks Fly.
Assim que ouvi a primeira nota da
música me apaixonei e, para garantir que não haveria nenhum erro de tradição da
minha parte por causa de um inglês meia-boca, comecei a acompanhar a letra e
tradução em um site de músicas, ficando encantada a cada verso.
Estava tudo indo muito bem e eu
estava quase empolgada a ponto de começar a improvisar e soltar a voz (grata
pela privacidade do meu quarto) quando algo me veio como um balde de água fria:
“I’m captivated by you baby like
a fireworks show”
(Estou cativada por você, amor,
como um show de fogos de artifício).
Lembro de ter tirado os fones e
encarado a tela do computador pensando “Isso é sério?” e, depois de ler,
reler/ouvir, reouvir várias vezes e finalmente constatar que aquilo estava
certo, o máximo que pude fazer foi dar de ombros e passar para a próxima
música.
Naquela época eu não era uma
fanática pela Taylor, mas gostava bastante das músicas e, depois de ouvir
melodias e letras lindas como Love Story,
Mine, You Belong With me e até mesmo o próprio “começo” de Sparks Fly, essa única linha me
decepcionou e me deixou pensando se Taylor era realmente uma excelente
compositora que cometeu um deslize ou se seria bom eu me habituar á “cortes”
como aqueles nas músicas.
Quer dizer, á primeira vista, ou
melhor ouvida, parece lindo mas, ai você pensa “Quem vai querer ser comparado á
fogos de artifícios?!” ainda “Sabe, seria até fofo se meu namorado me dissesse
isso, mas, nem é tão romântico, é?”
E, juro, até cheguei a dizer que
preferiria declarações de amor cafona e clichês como: “Você é o ar que eu
respiro” ou “Eu morreria se você me deixasse” do que fogos de artifício,
francamente.
Mas, mesmo com toda essa, digamos,
rejeição ao pobre verso, algo me dizia que eu iria entender a metáfora de
aquilo, de algum modo, talvez até mesmo como eu finalmente entendera a letra
bobinha de Today Was a Fairytale,
alguns dias atrás.
Passa dia, passa hora e, quando
dei por mim, já estava fora do carro dos meus pais, no último dia do ano,
contando segundos para ver a tão esperada queima de fogos.
Apesar de passar um ou dois dias
com aquele verso martelando na cabeça, naquele momento, naquela virada do ano,
a loirinha do country nem me passara pela mente, pelo menos não até os
primeiros fogos estourarem.
E foi ali sob o clarão provocado
por aquela explosão, em pé, do lado de fora do carro, que finalmente eu pude
entender.
Quando vi a letra, eu ficara
quase indignada até por pensar que o amor era muito era muito mais do que a
mera menção de faíscas brilhantes no céu. Mas, ao ver o tal show de fogos de
artifício e me concentrar na metáfora que a cantora usara, percebi que ela
estava coberta de razão: eu não podia tirar os olhos do céu, estava cativada.
Quase como o quão maravilhada
você fica ao ver sua “paixão” chegando ao lugar que você está, quando seu
coração dispara e suas mãos suam enquanto você tenta saber o que fazer. Quase,
ou até mais mágico do que aqueles segundos em câmera lenta parecem ser, quando
seus olhos se encontram por um instante que parece infinito.
Você não pode parar de olhar e,
só por necessidade extrema piscar, pois você está cativada, tomada pelo
momento, a visão e a sensação e tão inebriada que, nem se quisesse (e é óbvio
que não quer) poderia desviar sua atenção.
Percebi que, assim como o amor,
um simples show de fogos de artifício pode te deixar sem fôlego e estática,
paralisada pela magia de tudo.
E, mais do que isso, percebi que
aquela poderia, ou melhor, era a descrição perfeita para o que acontecia depois
de você tocar pela primeira vez os lábios da pessoa amada: quando você enfim
abre os olhos, nada mais existe além de quem está bem na sua frente, perto o
suficiente para você tocar e desejar que não seja capaz de ver seus pensamentos
porque o que você está pensando é: “Estou cativada por você, amor, como um show
de fogos de artifício”.
E, da próxima vez que isso
acontecer, se você se lembrar, é claro, preste bem atenção á atmosfera ao seu
redor porque, eu tenho certeza de que você vai ver faíscas voando, com ou sem
sorriso, simplesmente por estar lá.